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Manual de Sobrevivência da EBAPE: tudo o que eu gostaria de ter sabido no primeiro período Uma veterana tentando facilitar a vida de quem acabou de chegar Se vo...

23 de fevereiro de 2026 · Atualizado em 8 de setembro de 2026

Manual de Sobrevivência da EBAPE: tudo o que eu gostaria de ter sabido no primeiro período

Uma veterana tentando facilitar a vida de quem acabou de chegar

Se você está lendo isso, parabéns. O vestibular acabou. Aquela fase em que sua vida girava em torno de provas, notas de corte, simulados e da pergunta “será que eu passo?” finalmente ficou para trás. Agora você já está aqui, dentro da EBAPE, uma das melhores faculdades de Administração do Brasil. E, apesar de talvez ainda não parecer real, essa conquista é enorme. A partir de agora começa uma fase completamente diferente da sua vida, com muita coisa boa, alguns surtos ocasionais, aprendizados constantes e histórias que você provavelmente vai contar por muitos anos.

Estou há um ano na EBAPE e posso garantir que, apesar de tudo o que a gente reclama, sofre e questiona, a verdade é que a gente ama estar aqui. A EBAPE é intensa. Ela exige muito, ocupa boa parte dos seus dias e testa constantemente sua capacidade de organização, adaptação e paciência. Mas, ao mesmo tempo, ela entrega oportunidades, pessoas incríveis e experiências que fazem tudo valer a pena.

No começo, é normal sentir que tudo é grande demais. A faculdade, as matérias, as pessoas, as expectativas. Parece que todo mundo sabe exatamente o que está fazendo, enquanto você ainda está tentando entender como funciona o sistema, onde ficam as salas e por que todo mundo anda tão rápido pelos corredores. A sensação de estar um pouco perdido faz parte do processo. Ninguém chega aqui sabendo tudo, mesmo que algumas pessoas finjam muito bem. Então, não se preocupe, você vai aprender a lidar com linguagens de programação assustadoras e leituras enormes para o dia seguinte.

Nesse contexto, você vai perceber que a EBAPE é, sim, um ambiente competitivo. Você vai conviver com gente muito inteligente, dedicada e ambiciosa. Em algum momento, inevitavelmente, vai se comparar. Vai achar que está ficando para trás, que não está rendendo o suficiente ou que escolheu o caminho errado. Isso acontece com praticamente todo mundo, mesmo com quem parece estar sempre no controle. O mais importante é lembrar que cada um tem seu próprio ritmo, suas próprias prioridades e sua própria história. Comparação excessiva só atrapalha e não define ninguém; quando ela aparecer, respire, se distraia e volte!

Falando em se distrair, uma das melhores coisas da EBAPE são as pessoas que você conhece aqui. As amizades se formam de um jeito muito intenso, talvez porque todo mundo passa muito tempo junto, talvez porque o curso exige parceria, talvez porque a convivência diária cria laços rápidos. Não se feche. Converse com as pessoas da sua turma, de outras turmas, participe das atividades, aceite convites, mesmo quando der um pouco de preguiça. A EBAPE tem alunos de diversos estados — e países –, então aproveite para conhecer mais de outros universos. Os amigos que você faz aqui dentro costumam ser uma das partes mais valiosas da experiência universitária.

Nesse processo, as entidades estudantis têm um papel enorme. Elas são espaços onde você aprende muito na prática, descobre o que gosta — ou não — de fazer na administração, conhece gente de diferentes períodos e cursos e ainda acumula as tão desejadas horas complementares. É comum ficar perdido no início, sem saber qual entidade escolher ou se, de fato, vai entrar em alguma logo de cara. Mas calma! Os primeiros dois anos na EBAPE são feitos para você explorar tantas opções quanto puder. No começo do ano, geralmente acontecem apresentações das entidades, o que ajuda bastante. Caso não role, vale procurar alguém que já participa, conversar, entender a rotina e decidir com calma. E sim, todo mundo vai tentar te convencer de que a entidade deles é a melhor. Faz parte. Quanto à dúvida de entrar em uma liga logo no 1° período, eu diria: entre! É uma das melhores formas de socializar e se adaptar ao contexto da faculdade. Escolha uma que seja mais leve e entre no desafio. Eu, por exemplo, entrei no Diretório Acadêmico e foi muito bom para o meu desenvolvimento; zero arrependimento.

Ao longo da graduação, você também vai lidar com vários setores administrativos, como o Núcleo de Apoio Pedagógico, Núcleo de Estágio e Desenvolvimento de Carreiras, Relações Internacionais, Coordenação, Núcleo de Salas e o Diretório Acadêmico de Administração. Todos eles existem para ajudar o aluno, então, não hesite em procurar quando precisar. Uma dica importante é tentar resolver questões primeiro com o Diretório, que costuma ser mais acessível e conseguir orientar ou encaminhar problemas com mais atenção.

Muita gente escolhe a EBAPE pensando no intercâmbio, e não é por acaso. A possibilidade de estudar fora é uma das grandes vantagens do curso. Mas é importante alinhar expectativas desde cedo. Todo mundo pode tentar fazer intercâmbio, porém as vagas são limitadas e a seleção é feita por ordem de CR, que é a média simples das notas de todas as disciplinas concluídas. Não é motivo para paranoia, mas é um incentivo para levar a faculdade a sério desde o início e criar uma rotina de estudos minimamente consistente. Se você é bolsista, não se preocupe, existem diversas formas de juntar um dinheiro extra para ajudar a passar esses meses fora, explore-as. Aliás, os veteranos são ótimos para todo tipo de dicas e dúvidas sobre as opções e o processo do intercâmbio.

Falando em rotina, vale avisar: a EBAPE não costuma aliviar. É comum ter várias provas na mesma semana, além de trabalhos e atividades acumuladas ao longo do trimestre. E, sim, a EBAPE funciona em trimestres; isso acelera tudo. Então, a organização não é um diferencial aqui, é uma necessidade. Anotar prazos, se planejar com antecedência e evitar deixar tudo para o final do trimestre pode salvar sua sanidade mental. As últimas semanas costumam ser especialmente puxadas, então quanto menos coisa acumulada você tiver, melhor.

Nesse contexto, o prédio da EBAPE também vira rapidamente parte da sua vida. Diferente de outros cursos da FGV, a EBAPE tem um prédio exclusivo, o que acaba limitando um pouco o contato diário com alunos de outros cursos. O prédio é moderno e dividido em quatro andares. No subsolo ficam as salas das ligas e os armários, que exigem chave. No térreo há algumas salas, o laboratório, a Lojinha do Diretório e uma pequena copa. No primeiro andar ficam mais salas de aula, a coordenação e o RI, salinhas de estudo em grupo e os famosos cubículos, que, na prática, funcionam mais como ponto de encontro e socialização do que como espaço de estudo. No segundo andar ficam os professores, e os alunos não têm acesso. Um aviso importante, que nunca é exagero repetir: a EBAPE é fria. Muito fria. Levar um casaco é questão de sobrevivência.

Quando o assunto é espaço de estudo, opções não faltam. Além das mesas dentro da própria EBAPE, existem os cubículos, que são de uso livre e por ordem de chegada, e as salinhas de estudo, que exigem a retirada de chave no Núcleo de Salas, logo após a catraca. Cada aluno pode usar essas salas por até três horas por dia, também por ordem de chegada, e elas são ideais para quem precisa de mais silêncio ou gosta de estudar em grupo. Na sede da FGV, como a gente costuma chamar o prédio principal, existem mais salinhas de estudo, que também são por ordem de chegada, e uma biblioteca no sétimo andar, que, aliás, tem uma vista linda. No Centro Cultural também há uma biblioteca, que fica no térreo, e mais salas de estudo individuais e em grupo, sendo que, para as salas coletivas, é preciso reservar ou retirar a chave na biblioteca. Em épocas de prova, essas salas ficam bastante disputadas, por isso, recomendo certa atenção. Ambas as bibliotecas são extremamente silenciosas e ótimas para estudar, mas exigem que você deixe sua bolsa em um armário antes de entrar, levando apenas o material necessário.

As aulas da EBAPE acontecem, em sua maioria, em período integral, normalmente das nove e vinte da manhã até às seis da tarde. Por isso, se alimentar bem é essencial. Nunca deixe de almoçar. A faculdade conta com uma copa equipada com geladeira e micro-ondas para quem prefere trazer comida de casa. Para quem gosta de almoçar fora, há várias opções nos arredores, como o Sapore, que fica na sede, além de restaurantes como Sotero, Garagem, Broz e o Hortifruti.

Ah, importante! As eletivas, o intercâmbio e algumas aulas dos primeiros anos serão em inglês. Apesar de alguns alunos se virarem, se você ainda não fala o idioma, recomendo que corra atrás enquanto há tempo. Aliás, essa é uma competência quase básica no mercado hoje, então uma hora você precisará falar inglês.

Outro ponto importante, que muita gente ignora no início, são as horas complementares. Para se formar, é necessário cumprir 240 horas, que podem ser obtidas participando de palestras, eventos, entidades e projetos. O ideal é resolver isso até o final do segundo ano. Depois disso, o foco naturalmente se desloca para intercâmbio, estágio, eletivas e, mais adiante, o TCC. Deixar tudo para o final só torna o processo mais estressante.

Falando em estágio e mercado de trabalho, é bom manter os pés no chão. A EBAPE abre muitas portas, mas ela não garante sucesso automático. Ao longo do curso, você vai ouvir muito sobre carreira, mercado financeiro, consultoria, grandes empresas e trajetórias brilhantes. É importante explorar, testar interesses e entender o que faz sentido para você, sem cair na armadilha de achar que existe um único caminho certo. A faculdade oferece ferramentas — aliás, as melhores –, mas as escolhas são suas.

No fim das contas, os quatro anos passam rápido. Muito mais rápido do que parece agora. Então, aproveite as oportunidades, construa relações, aprenda com os erros e não transforme a graduação em um peso maior do que ela precisa ser. A EBAPE exige, mas também entrega. Cabe a você encontrar o equilíbrio entre se cobrar, se permitir errar e curtir o processo.

Seja bem-vindo. Aproveite a jornada.